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Titulo Secretário - Memórias
Autor Maria Vitalina Leal de Matos
Colecção
Biografias e Memórias
Género
Memórias
Proposto por
Maria Vitalina Leal de Matos
Editor
Hugo Xavier
Formato
15x23,5cm
N.º Páginas
536
Data
Abril de 2016
ISBN
978-989-99454-3-9
As memórias da grande Professora, Estudiosa da Literatura Portuguesa, Cidadã e Mulher que é Maria Vitlina Leal de Matos
«Sempre me impressionou a diferença entre as pessoas que ouvem e as que não. Há aqueles que nos ouvem de tal maneira que compreendem até aquilo que nem chegámos a dizer. Todo o professor tem a experiência de alunos assim, que são uma bênção. Depois há aqueles que às vezes ouvem e aprendem. E há por fim os outros que, por mais que digamos e apelemos, percebemos como as nossas palavras escorrem por cima deles como por um oleado sem fissura. São surdos por convicção.»
Considerada a mais importante camonista viva
Maria Vitalina Leal de Matos foi professora da Faculdade de Letras de Lisboa, onde leccionou várias cadeiras de Literatura Portuguesa, com que está relacionada a sua produção ensaística. Vive em Lisboa, e durante alguns anos habitou em Paris e l’Aquila (Itália). Em 2009, publicou dois livros de poesia, Incandescências e Uma pequena voz (Ed. Colibri), e um guião para um espectáculo, A Paixão segundo Fernando Pessoa (na mesma editora). Estreou-se no romance em 2010, com Camões, Este meu duro génio de vingança (Arcádia, Babel). Em 2013 publicou o livro de prosas poéticas Prosas Desfocadas (4Águas Editora). Continua a escrever ensaio, poesia e romance.
«Refugiava-me na Biblioteca Nacional, e, por horas a fio, redigia o capítulo sobre o «Amor em Camões», alheando-me do meio ambiente, navegando nas ondas da paixão ocidental, do amor do amor, do desejo-volúpia que – através duma perversão do platonismo – se volvia em pulsão de morte.
Nessas páginas não se descortina o menor traço do ambiente revolucionário e violento. E no entanto… sabe Deus como esse ambiente me determinava!
Fechava-me no universo sublime da grande poesia. Nem sequer sabia se um dia publicaria aqueles escritos. Escrevia numa espécie de embriaguez desesperada, com uma violência e uma paixão que eram as da comunidade cujas ondas me revolviam.
Saía da Biblioteca com os olhos cansados, absorta nas duas paixões que se fundiam no fundo de mim: a da poesia e a da liberdade.»
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